Arqueologia em Portugal: 2020 - Estado da Questão

7. Antiguidade Clássica e Tardia

 

7.1 O USO DE MADEIRA COMO COMBUSTÍVEL NO SÍTIO DA QUINTA DE CRESTELOS (BAIXO SABOR): DA IDADE DO FERRO À ROMANIZAÇÃO
Filipe Vaz / João Tereso / Sérgio Simões Pereira / José Sastre / Javier Larrazabal Galarza / Susana Cosme / José António Pereira / Israel Espi

No sítio da Quinta de Crestelos (Mogadouro) foi recolhido um extenso conjunto de amostras arqueobotânicas, cujas análises têm vindo a ser publicadas nos últimos anos. Neste artigo abordar-se-ão os dados antracológicos ainda inéditos referentes a dois sectores deste sítio. O primeiro, identificado na plataforma inferior, refere-se a contextos de habitat enquadradas entre os séc. IV a II a.C. O segundo diz respeito a uma área funcional com três fornos de tipologia diferenciada, enquadráveis nos sécs. I e II d.C.
Este estudo relevou conjunto diversificado de táxones, com destaque para os carvalhos (folha perene e caduca), estevas, pinheiros e freixos. Estes dados permitiram avaliar padrões de utilização dos recursos vegetais, nomeadamente relacionados com a função e tipo de cada estrutura.

 

7.2 CULTIVOS DE ÉPOCA ROMANA NO BAIXO SABOR: CONTINUIDADE EM TEMPOS DE MUDANÇA?
João Pedro Tereso / Sérgio Simões Pereira / Filipe Santos / Luís Seabra / Filipe Vaz

Na sequência de intervenções em oito jazidas romanas no Baixo Sabor foram efetuados estudos carpológicos que permitiram obter informações acerca dos cultivos consumidos e da forma como seriam armazenados.
O trigo de grão nu terá sido o principal cultivo em época romana, mas a cevada e o milho-miúdo também terão sido importantes. A presença de uvas está documentada, enquanto leguminosas domésticas e plantas silvestres edíveis são raras.
Este cenário contrasta com outras regiões do Noroeste Peninsular onde, tanto em época romana como na Idade do Ferro, os trigos de grão vestido detinham especial relevância. Com os dados atuais, é difícil entender a peculiaridade do vale do Sabor a este nível, mas alguns fatores ambientais e culturais são aqui adiantados.

 

7.3 A CASA ROMANA NA HISPÂNIA: APLICAÇÃO DOS MODELOS ITÁLICOS NAS PROVÍNCIAS IBÉRICAS
Fernanda Magalhães / Diego Machado / Manuela Martins

O modelo de casa itálica foi difundido desde os finais do século II a.C., a partir do Levante ibérico, expandindo-se progressivamente para os territórios do interior da Península Ibérica, acabando por se generalizar no contexto das novas fundações urbanas que terão lugar após o fim das guerras cantábricas. Assim, é possível constatar que, a partir de Augusto, as diferentes regiões da Hispânia vão conhecer um amplo processo de estandardização cultural das habitações urbanas de elite, em que se reconhece a disseminação de uma linguagem arquitetónica, bastante flexível, que tira partido de um léxico de formas, originariamente desenvolvido em Itália, ainda que alguns dos seus traços remontem às tradições helenísticas do Oriente. Inicia-se um processo sem precedentes de ampla estandardização cultural.

 

7.4 AS PINTURAS MURAIS ROMANAS DA RUA GENERAL SOUSA MACHADO, N.º51, CHAVES
José Carvalho

No diagnóstico arqueológico realizado na Rua General Sousa Machado, n. º51, em Chaves, no âmbito de uma obra relacionada com a reabilitação de um imóvel, foi identificado um conjunto de estruturas romanas pertencentes a um edifício habitacional da Época Romana. Em dois dos muros pertencentes ao edifício referenciado foram detetados vestígios de dois painéis pintados a fresco (pinturas murais). Foi realizado um plano de conservação e restauro das pinturas tendo em vista a sua preservação. Os contextos murais em análise eram totalmente desconhecidos no atual território transmontano.

 

7.5 TRÁS DO CASTELO (VALE DE MIR, PEGARINHOS, ALIJÓ) – UMA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA ROMANA DO DOURO
Tony Silvino / Pedro Pereira

O Vale do Douro é um dos territórios com maior potencial arqueológico por estudar no Noroeste Peninsular. Embora tenham sido realizados estudos mais aprofundados em algumas zonas, a maioria da informação que possuímos nos dias de hoje provém de intervenções antigas ou da historiografia tradicional. A presença romana no território do Vale do Douro é geralmente aceite, pela historiografia tradicional, para o período a partir do século II da nossa Era, ainda que se aceite cada vez mais a presença de “ruídos de fundo”, de dados que permitem mencionar instalações romanas anteriores. O sítio de Trás do Castelo, implantado a meia encosta de um pequeno castro da Idade do Ferro, é o reflexo do início de uma transformação da paisagem, iniciada com a chegada de Roma ao território do Douro e que virá a moldar esta zona montanhosa no Vale do Douro nos “jardins suspensos” de Miguel Torga.

 

7.6 A SEQUÊNCIA DE OCUPAÇÃO NO QUADRANTE SUDESTE DE BRACARA AUGUSTA: AS TRANSFORMAÇÕES DE UMA UNIDADE DOMÉSTICA
Lara Fernandes / Manuela Martins

Os trabalhos de escavação realizados nos terrenos da Santa Casa de Misericórdia de Braga, entre 1999 e 2000, permitiram colocar a descoberto um conjunto de estruturas que se viriam a revelar importantes para o estudo do urbanismo e da arquitetura doméstica da época romana, uma vez que se situam num setor da cidade com grande potencial arqueológico e reduzida sobreposição construtiva, em terrenos abandonados posteriormente à Antiguidade Tardia. Neste artigo pretende-se dar a conhecer algumas das estruturas escavadas que formalizam uma unidade doméstica inserida num quarteirão da cidade romana de Bracara Augusta, construída no Alto Império e remodelada no período tetrárquico. Para tal, serão valorizados os vestígios identificados na intervenção no Tabuleiro A dos Terrenos da Santa Casa de Misericórdia de Braga.

 

7.7 OS MOSAICOS COM DECORAÇÃO GEOMÉTRICA E GEOMETRICO-VEGETALISTA DOS SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS DA ÁREA DO CONUENTUS BRACARAUGUSTANUS. NOVAS ABORDAGENS QUANTO À CONSERVAÇÃO, RESTAURO, DECORAÇÃO E DATAÇÃO
Maria de Fátima Abraços / Licínia Wrench

O presente estudo permite revisitar alguns dos mosaicos já apresentados no Corpus dos Mosaicos Romanos do Conuentus Bracaraugustanus (Hispania) publicado em Junho de 2019, pelo Centro de Estudos Históricos da Universidade NOVA de Lisboa, quanto à decoração e estado de conservação. Indicar-se-ão vários exemplos das decisões tomadas durante as intervenções arqueológicas quanto ao levantamento mosaístico e consequente diversificação de abordagens na apresentação e/ou documentação dos mosaicos em apreço, que na sua maioria se justificam devido a informações adicionais que resultaram do prosseguimento da nossa pesquisa e das que nos foram proporcionadas já depois da publicação do Corpus.

 

7.8 “CASA ROMANA” DO CASTRO DE SÃO DOMINGOS (CRISTELOS, LOUSADA): ESCAVAÇÃO, ESTUDO E MUSEALIZAÇÃO
Paulo André de P. Lemos

No presente artigo dão-se a conhecer os resultados dos trabalhos arqueológicos efetuados no assentamento romano na meia encosta do monte de São Domingos, no âmbito do projeto de investigação “Escavação, estudo e musealização da “Casa Romana” do Castro de São Domingos”. Este projeto, que surgiu da vontade expressa da autarquia de Lousada em levar a cabo um estudo clarificador e de valorização do espaço arqueológico, sob a coordenação científica do signatário, ainda que aberto à participação de outros colaboradores/investigadores.

 

7.9 A ARQUEOBOTÂNICA NO CASTRO DE GUIFÕES (MATOSINHOS, NOROESTE DE PORTUGAL): O PRIMEIRO ESTUDO CARPOLÓGICO
Luís Seabra / Andreia Arezes / Catarina Magalhães / José Varela / João Pedro Tereso

 

7.10 UM HORREUM AUGUSTANO NA FOZ DO DOURO (MONTE DO CASTELO DE GAIA, VILA NOVA DE GAIA)
Rui Ramos

A escavação arqueológica realizada entre Fevereiro de 2016 e Novembro de 2018 pela Era Arqueologia S.A. na vertente Nordeste do Monte do Castelo de Gaia, pôs em evidência uma lata sequência ocupacional cuja génese remonta ao século IV a.C. e que se prolongou - entre hiatos mais ou menos prolongados – até ao século XX. Das ocupações mais relevantes dentro desta ampla diacronia (idade do ferro, romana e medieval), optamos ora por nos debruçar sobre a que nos parece mais significativa, porquanto inédita neste âmbito geográfico: um grande edifício de planta rectangular com aproximadamente 300 metros quadrados, datado de entre 30 a 15 a.C. que interpretamos como um Horreum, que poderá ter sido construído no âmbito das campanhas relacionadas com a pacificação da Hispânia Setentrional empreendidas por Augusto.

 

7.11 PONDERAIS ROMANOS NA LUSITÂNIA: PADRÕES, FORMAS, MATERIAIS E CONTEXTOS DE UTILIZAÇÃO
Diego Barrios Rodríguez

Os sistemas de peso e os testemunhos ponderais constituem uma das marcas mais evidentes dos grupos culturais. No entanto, esses tipos de materiais foram pouco valorizados pelos investigadores devido ao seu baixo atração material e formal. A compilação desses objetos encontrados no território da Lusitânia permitiu observar dados de interesse para documentar os sistemas romanos de implantação. As descobertas, tanto em contextos militares como na oppida indígena, são reveladores muito sobre a coexistência e posterior substituição de padrões locais pelos romanos. Precisamente por esse motivo, concentramos nossa atenção no exame dos materiais com os quais essas peças são fabricadas, suas formas, valores e o seu contexto de descoberta.

 

7.12 UM ALMOFARIZ CENTRO-ITÁLICO NA FOZ DO MONDEGO
Marco Penajoia

O Museu Municipal Santos Rocha realizou uma Exposição e Colóquio intitulada: “Santos Rocha, Arqueologia e Territórios da Figueira da Foz”. Este evento visou a sensibilização para a arqueologia e para o património arqueológico local, através da exposição de alguns espólios museológicos, nunca antes expostos e inéditos, entre os quais um fragmento de almofariz romano. Pretendemos com este artigo divulgar e desenvolver o estudo deste artefacto. Trata-se de um mortarium de fabrico centro-itálico e de tipologia Dramont D2 identificado na zona denominada de Igreja Velha do Negrote-Alqueidão. Este tipo de artefacto, atendendo à sua especificidade, vem apoiar a investigação no que concerne ao grau de romanização na foz do Mondego. Uma posição geográfica com elevada dinâmica flúvio-marítima.

 

7.13 ESTRUTURAS ROMANAS DE CARNIDE – LISBOA
Luísa Batalha / Mário Monteiro / Guilherme Cardoso

Os trabalhos arqueológicos realizados no Palácio Sant’Anna, Carnide (Lisboa) revelaram a presença romana através de restos de um piso em opus signinum, possivelmente de um tanque e um poço escavado no geológico, com boca circular de alvenaria seca, colmatado com terra, pedras e materiais daquele período. Entre os materiais de época romana recolhidos, destacam-se: fragmentos de recipientes de terra sigillata, ânforas Lusitanas e Béticas, cerâmica comum, assim como um dormente de mó em arenito, elementos que apontam para uma ocupação do sítio entre os séculos I-III d.C.

 

7.14 O CONTEXTO FUNERÁRIO DO SECTOR DA “NECRÓPOLE NO” DA RUA DAS PORTAS DE S. ANTÃO (LISBOA): O ESPAÇO, OS ARTEFACTOS, OS INDIVÍDUOS E A SUA INTERCONECTI VIDADE NA INTERPRETAÇÃO DO PASSADO
Sílvia Loja / José Carlos Quaresma / Nelson Cabaço / Marina Lourenço / Sílvia Casimiro / Rodrigo Banha da Silva / Francisca Alves-Cardoso

A intervenção arqueológica da Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa, revelou uma extensa diacronia, com vestígios situados cronologicamente entre a Idade do Bronze Final e a Época Contemporânea, destacando-se as evidências associadas ao uso do espaço enquanto local funerário durante a Época Romana Imperial. A área, tirando proveito de uma antiga e pequena plataforma natural situada no sopé da Encosta de Sant´Ana, encontrava-se decerto próxima ao trajecto da “Via Norte” de Olisipo, o principal eixo das comunicações terrestres da cidade, integrando por este motivo a designada “Necrópole NO”. O presente trabalho procede ao estudo do contexto funerário, expondo-se em articulação os dados contextuais, os estudos artefactual e bioantropológico, visando uma interpretação compreensiva do núcleo funerário.

 

7.15 POVOAMENTO EM ÉPOCA ROMANA NA AMADORA – RESULTADOS DE UM PROJETO PLURIDISCIPLINAR
Gisela Encarnação / Vanessa Dias

O projeto de investigação “PERA – Povoamento em Época Romana na Amadora” teve o seu início em 2017, completando o ciclo plurianual no início de 2021. Os objetivos definidos para o mesmo compreenderam sempre uma necessária abordagem pluridisciplinar aos dados recolhidos nas escavações arqueológicas levadas a cabo nos sítios de época romana identificados no concelho.
O profícuo encontro da arqueologia e outras ciências, como a antropologia, a arqueobotânica, a química, a geofísica e a ilustração científica, permitiu um conhecimento complexo acerca das balizas cronológicas de ocupação, das populações, dos seus hábitos de consumo e quotidiano durante a antiguidade no ager de Olisipo.
Neste Congresso, apresentam-se os resultados alcançados até ao momento, tendo por base os objetivos inicialmente propostos, reforçando a importância das abordagens interdisciplinares.

 

7.16 A ARQUITECTURA RESIDENCIAL EM MIROBRIGA (SANTIAGO DO CACÉM): CONTRIBUTO A PARTIR DE UM ESTUDO DE CASO
Filipe Sousa / Catarina Felício

O estudo de um edifício habitacional situado na cidade romana de Mirobriga (Santiago do Cacém) permitiu a sua identificação como uma casa de peristilo de planimetria axializada. O edifício incluía ainda um espaço comercial anexo que, numa fase mais tardia, poderá, pela presença de estruturas hidráulicas, ser associado ao tratamento de têxteis.
O cruzamento do estudo dos contextos estratigráficos, da arquitectura e dos faseamentos construtivos forneceu dados acerca da sequência de construção, reformas, abandonos e reocupações do edifício ao longo dos séculos I a IV d.C., contribuindo para a compreensão da evolução urbana da cidade.

 

7.17 CO FIM DO CICLO. SANEAMENTO E GESTÃO DE RESÍDUOS NOS EDIFÍCIOS TERMAIS DE MIROBRIGA (SANTIAGO DO CACÉM)
Catarina Felício / Filipe Sousa

Os edifícios termais de Mirobriga encontram-se localizados no seu ponto mais baixo, num vale conformado pelas colinas onde se desenvolvia o núcleo urbano. O seu bom estado de conservação permitiu a análise detalhada de um dos sistemas fundamentais no funcionamento de um edifício termal: o sistema de escoamento.
Dedicados à limpeza e cuidado do corpo, os edifícios termais são, paradoxalmente, grandes focos de poluição, gerando vastas quantidades de efluentes.
O estudo do sistema de escoamento e resíduos gerados permitiu colocar esta questão em evidência, contribuindo para uma imagem mais clara da atmosfera e salubridade em torno e no interior destes espaços de lazer e socialização.

 

7.18 BALSA, TOPOGRAFIA E URBANISMO DE UMA CIDADE PORTUÁRIA
Vítor Silva Dias / João Pedro Bernardes / Celso Candeias / Cristina Tété Garcia

Prospeções geofísicas, sondagens e escavações arqueológicas recentemente levadas a cabo e ainda em curso no âmbito do projeto Balsa, searching the origins of Algarve, têm permitido compilar novos dados científicos sobre a antiga urbe, nomeadamente aferindo o que ainda se preserva e/ou o que já terá sido destruído, a extensão da cidade, algumas das suas realidades urbanísticas e topográficas ou, simplesmente, afastando definitivamente hipóteses de realidades arqueológicas que, comprovadamente, nunca existiram. Assente numa metodologia multivariada e recorrendo a diferentes tecnologias e especialistas, os resultados dos trabalhos já efetuados permitiram atestar que a urbe é mais pequena do que se supunha, estendendo-se por uma estreita faixa ao longo da ria Formosa; permitiram ainda conhecer a orientação da malha urbana, a localização e extensão da sua principal necrópole, a localização do fórum e, provavelmente do “porto”, bem como alguns aspetos da forma como a cidade evoluiu.
De uma forma necessariamente muito sintética, dá-se a conhecer o percurso metodológico dos trabalhos realizados, os resultados já obtidos, bem como as expetativas para os trabalhos futuros.

 

7.19 NO LARGO DAS MOURAS VELHAS EM FARO (2017): NOVAS EVIDÊNCIAS DA NECRÓPOLE NORTE DE OSSONOBA E DA SUA OCUPAÇÃO MEDIEVAL
Ricardo Costeira da Silva / Paulo Botelho / Fernando Santos / Liliana Nunes

No decorrer da intervenção arqueológica de minimização de impacte do projecto de arranjo urbanístico do Largo das Mouras Velhas e ruas adjacentes em Faro (2017), foram identificadas novas sepulturas de inumação pertencentes à necrópole norte de Ossonoba. Apresenta-se o contexto estratigráfico, a tipologia e arquitectura das sepulturas e o respectivo mobiliário funerário recuperado, procurando-se integrar estes novos achados no panorama global dos espaços sepulcrais ossonobenses já conhecidos.
Nesta intervenção foram ainda identificados, pela primeira vez nesta zona noroeste da cidade, vestígios de época medieval islâmica. Este contexto testemunhado por uma simples fossa detrítica colmatada entre os séculos XII/XIII permite relançar a discussão acerca da estratégia de ocupação periurbana de Ocsonoba.

 

7.20 CINSTRUMENTOS DE PESCA RECUPERADOS NUMA FÁBRICA DE SALGA EM OSSONOBA (FARO)
Inês Rasteiro / Ricardo Costeira da Silva / Paulo Botelho

O presente texto apresenta o estudo dos instrumentos de pesca recuperados num novo complexo de produção de preparados piscícolas identificado na zona ribeirinha de Faro (em 2017) durante uma intervenção arqueológica preventiva. À semelhança de outros espólios da mesma categoria provenientes deste tipo de officinae, a colecção é composta por anzóis, agulhas e um peso de rede.
Tendo em conta o interesse histórico e arqueológico das peças inventariadas pretendeu-se, para além da sua catalogação, realizar o estudo morfo-tipológico detalhado dos artefactos e analisar as técnicas pesqueiras utilizadas neste período cronológico, sistematizando e confrontando esta informação com a disponibilizada noutros trabalhos similares efectuados na região.

 

7.21 A NECRÓPOLE ROMANA DO EIRÔ, DUAS IGREJAS (PENAFIEL): INTERVENÇÃO ARQUEOLÓGICA DE 2016
Laura Sousa / Teresa Soeiro

Em 2016, a construção do Centro Paroquial de Duas Igrejas (Penafiel) proporcionou a (re)escavação, pelo Museu Municipal de Penafiel, de uma das necrópoles romanas conhecidas na freguesia, lugar do Eirô. Abílio Miranda publicou a primeira notícia em 1941, reportando-se ao achamento ocasional de enterramentos, num terreno entre a igreja e o cemitério. Continham cerâmica comum romana e um anel decorado, materiais que, sem destrinça, deram entrada no Museu. Com a presente intervenção, recuperaram-se as estruturas tumulares remanescentes daquela ocorrência e escavaram-se, integral ou parcialmente, mais seis sepulturas de inumação preservadas, contendo cerâmica, pregadura de calçado com vestígios de tecido e numismas, permitindo uma nova leitura do sítio e a datação destes enterramentos, atribuídos ao terceiro quartel do século IV d.C.

 

7.22 RITUAL, DESCARTE OU AFETIVIDADE? A PRESENÇA DE CANIS LUPUS FAMILIARIS NA NECRÓPOLE NOROESTE DE OLISIPO (LISBOA)
Beatriz Calapez Santos / Sofia Simões Pereira / Rodrigo Banha da Silva / Sílvia Casimiro / Cleia Detry / Francisca Alves Cardoso

Os contextos funerários onde se regista a presença de Canis lupus familiaris são diversos, compreendendo enterramentos individuais (com ou sem espólio associado), inclusão em sepulturas de humanos, ou descarte de cadáveres, sugerindo por consequência um leque diversificado de significados, aferíveis em função da natureza do contexto arqueológico. O estudo aqui apresentado corresponde à análise contextual e, em especial, zooarqueológica, de quatro canídeos identificados na Necrópole Noroeste de Olisipo. A análise osteológica incidiu na identificação anatómica, estimativa da idade à morte, diagnose sexual e identificação de eventuais alterações ósseas de origem tafonómica e patológica. Deste modo foi possível determinar a presença de três indivíduos jovens adultos do sexo masculino e um não adulto, indeterminado.

 

7.23 DINÂMICAS ECONÓMICAS EM BRACARA NA ANTIGUIDADE TARDIA
Diego Machado / Manuela Martins / Fernanda Magalhães / Natália Botica

O estudo do período histórico que sucedeu ao Império Romano no Ocidente evidenciou profundas transformações sociais e económicas que tiveram grande expressão no tecido urbano das cidades. Neste sentido, propomos uma síntese sobre as dinâmicas económicas de Bracara na Antiguidade Tardia, período profundamente marcado, por um lado, pela afirmação de novas realidades urbanísticas, sociais, políticas e religiosas, e por outro, pelo gradativo abandono de condicionantes e imperativos que marcaram a cidade alto-imperial. Para tal, vamos recorrer aos dados provenientes das intervenções arqueológicas realizadas em Braga, que documentam as transformações ocorridas entre os séculos III e VIII, período balizado pela elevação da cidade à capital da Gallaecia e pelas invasões muçulmanas, que marcam o fim do comércio a nível mediterrânico./p>

 

 

7.24 CERÂMICAS E VIDROS DA ANTIGUIDADE TARDIA DO EDIFÍCIO SOB A IGREJA DO BOM JESUS (VILA NOVA DE GAIA)
Joaquim Filipe Ramos

Nos finais do séc. XX, as escavações arqueológicas realizadas na Igreja do Bom Jesus de Gaia fizeram surgir mais um ponto de história no município de Vila Nova de Gaia, com o levantamento de um amplo espólio arqueológico, datável desde o séc. V/VI até à época moderna. Até à data, o material recolhido só tinha sido parcialmente estudado, de forma a dar a conhecer os resultados das escavações. Como tal, era necessário um estudo, um pouco mais detalhado, sobre os materiais encontrados nesta intervenção.
Nesse sentido é aqui apresentado um estudo, desenvolvido em contexto de estágio académico, sobre os fabricos de sigillata, africana, hispânica e focense, e cerâmica cinzenta tardia, ou seja, os fabricos de cerâmica utilitária tardia, provenientes da igreja do Bom Jesus de Gaia, anexando ainda o estudo do vidro tardio, um material de igual versatilidade e ainda assim pouco estudado.

 

7.25. NOVOS CONTRIBUTOS PARA A TOPOGRAFIA HISTÓRICA DE MÉRTOLA NO PERÍODO ROMANO E NA ANTIGUIDADE TARDIA
Virgílio Lopes

No presente trabalho pretende-se fazer uma abordagem às novidades arqueológicas ocorridas nos últimos anos em Mértola, dando a conhecer os resultados obtidos e o seu contributo para o conhecimento da cultura material e da topografia histórica da cidade de no Período Romano e na Antiguidade Tardia.