Arqueologia em Portugal: 2020 - Estado da Questão

5. Pré-História

 

5.1. O PROJETO MIÑO/MINHO: BALANÇO DE QUATRO ANOS DE TRABALHOS ARQUEOLÓGICOS
Sérgio Monteiro-Rodrigues / João Pedro Cunha-Ribeiro / Eduardo Méndez-Quintas / Carlos Ferreira / Pedro Xavier / José Meireles / Alberto Gomes / Manuel Santonja / Alfredo Pérez-González

Apresentam-se os resultados mais significativos do projeto Miño/Minho, após quatro anos de trabalhos de campo (2016-2019). Os principais sítios intervencionados – Pedreiras 2 e Bela, Monção e Carvalhas (loci 1, 2, 3 e 4), Melgaço –, associados a depósitos fluviais do rio Minho ou a formações deles derivadas, forneceram indústrias líticas talhadas, genericamente enquadráveis no tecno-complexo Acheulense. Tendo em conta outros dados obtidos na região, mais especificamente na margem direita do rio Minho (Galiza), estas indústrias datarão de diferentes momentos dentro do Pleistocénico médio.

 

5.2 A OCUPAÇÃO PALEOLÍTICA DA MARGEM ESQUERDA DO BAIXO MINHO: A INDÚSTRIA LÍTICA DO SÍTIO DE PEDREIRAS 2 (MONÇÃO, PORTUGAL) E A SUA INTEGRAÇÃO NO CONTEXTO REGIONAL >
Carlos Ferreira / João Pedro Cunha-Ribeiro / Sérgio Monteiro-Rodrigues / Eduardo Méndez-Quintas / Pedro Xavier / José Meireles / Alberto Gomes / Manuel Santonja / Alfredo Pérez-González

A crescente realização de trabalhos arqueológicos em jazidas paleolíticas permite atualmente uma melhor compreensão do tecno-complexo Acheulense à escala peninsular, e a sua integração no contexto africano e euroasiático. No presente trabalho pretende-se aprofundar a discussão em torno das características tecnológicas das indústrias líticas peninsulares da segunda metade do Pleistocénico Médio, através da análise da indústria lítica da jazida de Pedreiras 2 (Monção, Alto Minho). Da realização de trabalhos de campo no local, no contexto do Projeto Miño-Minho, resultou a recolha de materiais associáveis ao tecno-complexo Acheulense, que testemunham a ocupação da região numa área onde até recentemente se conheciam achados isolados de materiais coevos, e cujos dados cronométricos permitem enquadrar a sua cronologia na segunda metade do Pleistocénico Médio.

 

5.3 O SÍTIO ACHEULENSE DO PLISTOCÉNICO MÉDIO DA GRUTA DA AROEIRA
Joan Daura / Montserrat Sanz / Filipa Rodrigues / Pedro Souto / João Zilhão

Datado de cerca de 400 ka (estádio isotópico marinho 11), o sítio da Gruta da Aroeira (Torres Novas, Portugal) é uma das poucas jazidas do Plistocénico Médio que entregou um crânio fóssil de hominídeo associado a bifaces acheulenses em contexto de gruta. A nossa abordagem multi-analítica do registo arqueológico incidiu sobre diferentes categorias de vestígios: o crânio humano (Aroeira 3), os restos faunísticos, os restos de combustão e a indústria lítica. O crânio fóssil Aroeira 3 possui um labirinto ósseo primitivo e apresenta uma fractura óssea perimortem. A indústria lítica sugere uma mobilidade limitada; as actividades de talhe realizadas no sítio incluem a exploração de núcleos, mas os bifaces foram introduzidos já como utensílios acabados. A análise dos restos faunísticos confirma a presença do primata Macaca sylvanus e documenta uma grande diversidade de cervídeos, incluindo o veado mediterrânico Haploidocerus mediterraneus, nunca antes documentado no Plistocénico Médio da Península Ibérica. A reconstrução paleo-ambiental baseada nos pequenos vertebrados indica uma paisagem florestal aberta com condições semi-húmidas. Por outro lado, a presença de subprodutos de combustão prova utilização controlada do fogo entre as populações do Acheulense.

 

5.4 AS SOCIEDADES NEANDERTAIS NO BARLAVENTO ALGARVIO: MODELOS PREDITIVOS COM RECURSO AOS SIG
Daniela Maio

Os estudos relacionados com as populações de Neandertais no Barlavento algarvio indicam que os territórios ocupados se localizavam no litoral, onde a recolha de recursos aquáticos e a caça de animais de pequeno e grande porte fazia parte da dieta destas comunidades. De forma a contribuir com novos dados para o Paleolítico Médio foi criado um Modelo Preditivo Arqueológico com o intuito de analisar os padrões de ocupação e exploração do território. O presente estudo assenta numa abordagem essencialmente estatística, descritiva e univariada, com recurso a variáveis dependentes (i.e., sítios arqueológicos) e independentes (e.g., dados geomorfológicos, geográficos). Os resultados obtidos indicam uma ocupação do território pouco dispersa junto da costa e ligada a importantes vales e rios.

 

5.5 A UTILIZAÇÃO DE QUARTZO DURANTE O PALEOLÍTICO SUPERIOR NO TERRITÓRIO DOS VALES DOS RIOS VOUGA E CÔA
Cristina Gameiro / Thierry Aubry / Bárbara Costa / Sérgio Gomes / Luís Luís / Carmen Manzano / André Tomás Santos

Tradicionalmente o quartzo tem sido apresentado como uma matéria-prima de menor aptidão ao talhe. Porém, o facto de estar disponível naturalmente, em regiões onde não existe sílex ou silcreto, conduziu à sua frequente exploração, por parte das comunidades humanas que habitaram o território português, durante o Paleolítico. Neste trabalho, apresentamos comparativamente os dados relativos à utilização do quartzo nos sítios do Vale do Côa (Fariseu e Cardina) e do Vale do Vouga (Vau e Rôdo) durante o Gravettense, Magdalenense e Azilense. O volume de dados sobre as duas áreas em comparação é desigual e dispomos de poucos elementos sobre a tradição técnica e a funcionalidade dos sítios do Vouga; contudo, dispomos já de elementos suficientes para comparar e identificar, nos sítios arqueológicos situados em duas regiões distintas, o mesmo esquema conceptual inerente às cadeias operatórias aplicadas aos diferentes tipos de quartzo.

 

5.6. UMA PERSPETIVA DIACRÓNICA DA OCUPAÇÃO DO CONCHEIRO DO CABEÇO DA AMOREIRA (MUGE, PORTUGAL) A PARTIR DA TECNOLOGIA LÍTICA
Joana Belmiro / João Cascalheira / Célia Gonçalves

O sítio arqueológico do Monte dos Toirais localiza -se no concelho de Montemor -o -Novo, na região do Alentejo Central. Identificado em 1996 e intervencionado em 1998, constituiu -se como um dos primeiros testemunhos de uma intervenção em contexto empresarial no âmbito da arqueologia de salvamento, então relacionada com o Plano de Minimização de Impacte Ambiental da A6 – Autoestrada do Alentejo central. O sítio compreendeu uma primeira ocupação da Idade do Ferro, centrada no século V a.C., e uma segunda ocupação de cronologia romana alto -imperial, objeto da presente comunicação. Volvidos quase 20 anos da intervenção ali realizada, e em paralelo aos estudos em curso sobre a ocupação proto -histórica do local, pretende -se apresentar uma síntese dos testemunhos de época romana identificados no Monte dos Toirais. Partindo de uma abordagem centrada na caracterização das estruturas e nos espólios aí exumados, discutem -se alguns aspectos relacionados com a dinâmica do local no contexto da ocupação rural romana da região a oeste de Ebora Liberalitas Iulia.

 

5.7 NOVOS DADOS SOBRE A PRÉ-HISTÓRIA ANTIGA NO CONCELHO DE PALMELA. A INTERVENÇÃO ARQUEOLÓGICA NO SÍTIO DO POCEIRÃO I
Michelle Teixeira Santos

Apresentam-se os resultados da intervenção arqueológica realizada, em 2009, no sítio do Poceirão I (Palmela). Os trabalhos consistiram na realização de prospecção sistemática, por quadriculagem e de uma sondagem para diagnóstico do potencial arqueológico, registo de uma mancha de combustão e leitura estratigráfica. Os resultados obtidos permitiram individualizar dois Locus, uma dispersão considerável de artefactos de pedra lascada em sílex, quartzo e quartzitos, não tendo sido identificada a presença de cerâmicas. Porém, na área escavada – Sondagem 1 – confirmou-se a forte destruição do sítio, a ausência de contextos antrópicos conservados e uma estratigrafia com reduzido potencial.
Partindo dos dados superficiais observados e do conjunto de espólio recolhido, o Poceirão I, parece corresponder a um sítio de habitat, ocupado por grupos de caçadores-recolectores do Mesolítico, da região interestuarina Tejo-Sado.

 

5.8. PROBLEMAS EM TORNO DE DATAS ABSOLUTAS PRÉ-HISTÓRICAS NO NORTE DO ALENTEJO
Jorge de Oliveira

Nesta comunicação iremos apresentar todas as datas absolutas obtidas para contextos atribuídos à Pré-história recente do Alto Alentejo, mas cujos valores questionam o posicionamento cultural de alguns dos sítios. Tentaremos compreender as datas de radiocarbono do X ao VIII milénios a.C. em abrigos com arte rupestre esquemática. Trataremos os contextos das datas absolutas do VII ao V milénios a.C. em monumentos megalíticos funerários e, finalmente, divulgaremos, de novo, as datas absolutas obtidas em carvões recolhidos em alvéolos de menhires que os recuam mais de 2000 anos do que seria inicialmente suposto. Nesta comunicação trataremos também de um conjunto de datas de históricas obtidas a partir de carvões recolhidos em sítios atribuídos à Pré-História recente, mas com ocupações, ou visitas históricas que tentaremos contextualizar.

 

5.9 POVOAMENTO PRÉ-HISTÓRICO NAS ÁREAS MONTANHOSAS DO NO DE PORTUGAL: O ABRIGO 1 DE VALE DE CERDEIRA
Pedro Xavier / José Meireles / Carlos Alves

Na década de 90 do século passado, prospeções realizadas nas áreas serranas do NO de Portugal conduziram à identificação do sítio arqueológico conhecido como Abrigo 1 de Vale de Cerdeira, situado na Serra da Cabreira (NO Portugal, máx. alt. 1262 m). O conjunto de evidências recuperado nas escavações arqueológicas permitem situar a ocupação da jazida entre os finais do VI/inícios do V milénio a.C. No âmbito de um projeto de doutoramento iniciado em 2017 encontra-se, atualmente, a ser estudada a coleção lítica do citado abrigo, numa dupla vertente. A primeira relativa ao estudo tecno-tipológico, identificando os objetivos da produção artefactual e, a segunda, relacionada com a classificação e caracterização das diferentes matérias-primas exploradas e manipuladas pelas comunidades pré-históricas.

 

5.10 APRECIAÇÃO DO POVOAMENTO DO NEOLÍTICO INICIAL NA BAIXA BACIA DO DOURO. A LAVRA I (SERRA DA ABOBOREIRA) COMO CASO DE ESTUDO
Maria de Jesus Sanches

Este texto dedica-se à discussão da documentação arqueográfica do habitat do Neolitico inicial de Lavra I (Serra da Aboboreira), incidindo: nos fenómenos de sedimentação e formação do registo arqueológico; na definição do tipo de ocupação; no esclarecimento das datas de C14. Debate ainda o modo como a Lavra I se inscreve no início do processo de neolitização do Norte de Portugal e Baixa bacia do Douro, destacando, na Serra da Aboboreira a possibilidade temporal e espacial de se poder correlacionar com as mamoas mais antigas, no 2º quartel do 5º mil. a.C.

 

5.11 O PROCESSO DE NEOLITIZAÇÃO NA PLATAFORMA DO MONDEGO: OS DADOS DO SECTOR C DO OUTEIRO DOS CASTELOS DE BEIJÓS (CARREGAL DO SAL)
João Carlos de Senna-Martinez / José Manuel Quintã Ventura / Andreia Carvalho / Cíntia Maurício

O Outeiro dos Castelos de Beijós (COCB) é um sítio bem conhecido pela sua ocupação do BF (Senna-Martinez, 1993, 1994, 1995/1996a, 2000a e 2000b; Senna-Martinez e Ventura, 2008a; Senna-Martinez e Pedro, Eds. 2000). Contudo, uma outra utilização antrópica deste espaço, no NA, encontrava-se, ainda, sem divulgação adequada. Tal sucede apesar de parte das colecções se encontrarem expostas no Museu Municipal de Carregal do Sal e integrarem o respectivo Roteiro (Pinto, 2006; Senna-Martinez, 2006).
No ano lectivo de 2004/2005 duas alunas da Licenciatura em Arqueologia da FLUL – e colaboradoras neste artigo – desenharam e procederam à análise tipológica, no âmbito do seu seminário final, respectivamente da olaria e da indústria lítica associadas à ocupação do NA. Recupera-se aqui e integra-se esse contributo escolar dentro do que tem sido a melhor tradição da Uniarq.
Procuraremos ainda integrar os novos dados de COCB no âmbito, mais alargado, da Neolitização da bacia interior do Mondego e do Centro/Norte Português.

 

5.12 NOVOS TRABALHOS NA LAPA DA BUGALHEIRA (ALMONDA, TORRES NOVAS)
Filipa Rodrigues / Pedro Souto / Artur Ferreira / Alexandre Varanda / Luís Gomes / Helena Gomes / João Zilhão

Apresentam-se os dados obtidos no primeiro ano das escavações arqueológicas realizadas na Lapa da Bugalheira (Almonda, Torres Novas) ao abrigo do projecto de investigação ARQEVO. Esta intervenção permitiu reconhecer uma ocupação enquadrada no Neolítico Antigo, com um conjunto artefactual típico da primeira etapa da diacronia neolítica: cerâmica impressa cardial, “boquique”, geométricos e elementos de adorno. Datações absolutas sobre Ovis e restos humanos confirmam a cronologia. Esta ocupação encontra paralelos em sítios coevos do Maciço Calcário Estremenho (MCE), entre os quais se destaca a Galeria da Cisterna (sistema cársico do Almonda).

 

5.13 A PEDRA POLIDA E AFEIÇOADA DO SÍTIO DO NEOLÍTICO MÉDIO DA MOITA DO OURIVES (BENAVENTE, PORTUGAL)
César Neves

Apresentação do conjunto de artefactos de pedra polida e afeiçoada identificado no sítio da Moita do Ourives.
O universo artefactual é pouco expressivo com os exemplares em mau estado de conservação e elevado grau de fragmentação, dificultando a classificação tipológica e funcional. Para a sua produção, destacam-se os artefactos sobre matérias-primas localmente disponíveis, como o quartzito, arenito e o quartzo (85% das ocorrências). As matérias-primas exógenas (anfibolito e granito), possivelmente obtidas a mais de 40km do sítio, representam cerca de 15% dos elementos registados.
Apesar das limitações que dispõe, este estudo permite, em conjunto com os restantes elementos da cultura material, uma reflexão acerca da funcionalidade desta ocupação, bem como da mobilidade e actividades socioeconómicas das comunidades do Neolítico médio no ocidente Peninsular.

 

5.14 CASAL DO OUTEIRO (ENCARNAÇÃO, MAFRA): NOVOS CONTRIBUTOS PARA O CONHECIMENTO DO POVOAMENTO DO NEOLÍTICO FINAL NA PENÍNSULA DE LISBOA
Cátia Delicado / Carlos Maneira e Costa / Marta Miranda / Ana Catarina Sousa

O sítio do Casal do Outeiro (Encarnação, Mafra), foi identificado em 2020 no âmbito de acompanhamento de uma empreitada. Situa-se numa encosta suave, de solos arenosos e a escassos metros de uma linha de água subsidiária do Rio Safarujo. A evidência artefactual parece indicar a presença um núcleo habitacional neolítico, possivelmente da segunda metade do 4º milénio, incluindo evidências de debitagem local em sílex, pedra polida e cerâmica manual, incluindo um fragmento de bordo denteado. As prospecções realizadas permitiram identificar possíveis ocorrências associadas ao Casal do Outeiro como grutas e cavidades sob rocha com materiais coevos. Discute-se este sítio face ao padrão de povoamento neolítico da Península de Lisboa, concentrado na parte mais meridional.

 

5.15 STRESSE INFANTIL, MORBILIDADE E MORTALIDADE NO SÍTIO ARQUEOLÓGICO DO NEOLÍTICO FINAL/CALCOLÍTICO (4º E 3º MILÉNIO A.C.) DO MONTE DO CARRASCAL 2 (FERREIRA DO ALENTEJO, BEJA)
Liliana Matias de Carvalho / Sofia N. Wasterlain

As crianças passam por várias etapas de desenvolvimento/crescimento. Barker e Osmond teorizaram na hipótese “Developmental Origins of Health and Disease” que o stresse sofrido na vida intrauterina e primeira infância podia ter consequências negativas na idade adulta, inclusive na propensão à doença e na antecipação da idade de morte.
Para estimar a frequência de stresse infantil numa amostra populacional do Neolítico Final/Calcolítico e tentar perceber o seu impacto na vida adulta dos indivíduos, foi analisada, segundo a metodologia de Reid e Dean (2000, 2006), uma amostra do Monte do Carrascal 2 (Ferreira do Alentejo, Beja). Os indivíduos da amostra não demonstram ter sofrido excessivamente de stresse na infância, o que sugere algum cuidado com os membros mais novos da comunidade.

 

5.16 COME TOGETHER: O CONJUNTO MEGALÍTICO DAS MOTAS (MONÇÃO, VIANA DO CASTELO) E AS EXPRESSÕES CAMPANIFORMES DO ALTO MINHO
Ana Catarina Basílio / Rui Ramos

O Complexo Megalítico das Motas, intervencionado entre 2014/2015, possibilitou o incremento do conhecimento deste tipo de fenómeno funerário na região do Alto Minho, preenchendo uma lacuna espacial entre os núcleos da Portela do Pau e Litoral Minhoto. Apresenta características e dinâmicas construtivas únicas que podem, eventualmente, explicar a sua larga utilização/reutilização.

Neste núcleo, a cerâmica Campaniforme foi identificada em duas das estruturas, uma delas portadora do maior conjunto de recipientes até agora identificado no Alto Minho. Esta existência conecta o sítio com o Fenómeno Campaniforme a nível regional, sendo possível entender que as comunidades com esta cerâmica, que recorreram ao Complexo das Motas, seriam extremamente abertas e permeáveis a novas ideias, tendo reinterpretado e tornado seu, um fenómeno geograficamente amplo.

 

5.17 TRABALHOS ARQUEOLÓGICOS NO SÍTIO CALCOLÍTICO DA PEDREIRA DO POIO
Carla Magalhães / João Muralha / Mário Reis / António Batarda Fernandes

Com este artigo pretendemos dar a conhecer a intervenção arqueológica realizada em finais de 2019, na Pedreira do Poio. Estes trabalhos integram-se no Projecto de Investigação denominado “Uma investigação sobre a Pré-história Recente do Vale do Côa. Dinâmicas de uso e ocupação do território”. O sítio foi identificado por arqueólogos da Fundação Côa Parque. Localiza-se em plena área de exploração da pedreira do Poio e, quando foi reconhecido, encontrava-se já muito destruído. O principal objectivo desta intervenção consistiu na recuperação do máximo de informação possível. No final dos trabalhos duas ideias surgem: 1 – o sítio cronologicamente insere-se na Pré-história Recente; 2 – o seu tipo é inédito na região: um sítio de fossas.

 

5.18 O SÍTIO ARQUEOLÓGICO DE CASTANHEIRO DO VENTO. DA ARQUITECTURA DO SÍTIO À ARQUITECTURA DE UM TERRITÓRIO
João Muralha Cardoso

Castanheiro do Vento é um sítio arqueológico com uma ocupação que abrange todo o 3º milénio e a primeira metade do 2º a.C. Situa-se no concelho de Vila Nova de Foz Côa, distrito da Guarda e tem sido investigado por uma vasta equipa. Com esta comunicação pretende-se dar a conhecer algumas reflexões sobre a forma de construir em Castanheiro do Vento e partilhar algumas ideias sobre as relações entre esse fazer arquitectura no sítio e a ideia de arquitecturar um espaço maior, um território. Se aceitarmos que construir é uma forma de estar no mundo, a arquitectura terá sempre conexões a esse mundo e consequentemente à sua organização. É importante ter em conta que durante a Pré-história recente, a paisagem do Alto Douro foi sendo alterada por parte de comunidades em processo de consolidação de um sistema agro-pastoril. Este processo de territorialização, levou a uma ocupação diversificada da paisagem. Alguns pontos dessa paisagem foram marcados através da construção de recintos murados, outros, quase que são invisíveis e ainda outros, que ocupam grandes marcadores naturais da paisagem.

 

5.19 ESTUDO ZOOARQUEOLÓGICO DAS FAUNAS DO CALCOLÍTICO FINAL DE VILA NOVA DE SÃO PEDRO (AZAMBUJA, PORTUGAL): CAMPANHAS DE 2017 E 2018
Cleia Detry / Ana Catarina Francisco / Mariana Diniz / Andrea Martins / César Neves / José Morais Arnaud

Em 2017, uma equipa da UNIARQ - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e da Associação dos Arqueólogos Portugueses apresentou, à Direcção Geral do Património Cultural, um projecto de investigação intitulado Vila Nova de São Pedro, de novo no 3º milénio (VNSP3000), com a intenção de retomar as escavações em VNSP. No âmbito de um seminário de Licenciatura em Arqueologia na FLUL, Ana Costa Francisco analisou os restos recuperados na primeira campanha de 2017. As faunas recuperadas nas campanhas seguintes foram estudadas por Cleia Detry.
Os restos de fauna doméstica demonstram a presença de ovelha/cabra (Ovis/ Capra), vaca (Bos taurus) e porco (Sus scrofa domesticus). A caça também tem uma prevalência elevada com a presença de coelho (Oryctolagus cuniculus) e veado (Cervus elaphus). O auroque (Bos primigenius) e javali (Sus scrofa), embora difíceis de distinguir dos seus congéneres domesticados, foram identificados no conjunto.

 

5.20 AS FAUNAS DEPOSITADAS NO MUSEU ARQUEOLÓGICO DO CARMO PROVENIENTES DE VILA NOVA DE SÃO PEDRO (AZAMBUJA): AS CAMPANHAS DE 1937 A 1967
Ana Catarina Francisco / Cleia Detry / César Neves / Andrea Martins / Mariana Diniz / José Morais Arnaud

O sítio arqueológico de Vila Nova de São Pedro (Azambuja) foi descoberto em 1936 através das prospecções realizadas por Hipólito Cabaço. Em 1937, tem lugar a primeira campanha de escavação dirigida por Eugénio Jalhay e Afonso do Paço. Com a morte do primeiro, em 1950, Paço assume, com pontuais colaborações, a direcção dos trabalhos arqueológicos no sítio, até 1967.
O presente artigo tenciona fazer a análise da fauna recolhida e descrita por Afonso do Paço ao longo dessas campanhas, sobre as quais não existe, no entanto, informação sobre a proveniência estratigráfica de artefactos e ecofactos. Comparam-se ainda os dados destas campanhas com a fauna recolhida durante as escavações de 2017 e 2018, realizados no âmbito do projecto VNSP3000. A partir deste material faunístico sem contexto, foi, ainda assim, possível adquirir algum conhecimento sobre espécies presentes nas imediações de Vila Nova de São Pedro durante o Calcolítico.

 

5.21 ANÁLISE FUNCIONAL DE MATERIAL LÍTICO EM SÍLEX DO CASTRO DE VILA NOVA DE S. PEDRO (AZAMBUJA, PORTUGAL): UMA PRIMEIRA ABORDAGEM
Rafael Lima

A realização de uma análise traceológica de parte do espólio de peças em sílex do castro de Vila Nova de S. Pedro vem, por um lado, indicar a possibilidade de realizar uma análise funcional sobre uma parte mais abrangente do espólio recolhido, ainda que com algumas ressalvas, e, por outro, colocar em evidência a importância de certas actividades no plano económico, ainda que se trate de uma análise preliminar.
Observa-se, para já, a importância das actividades agrícolas, através do emprego de peças para o corte de matérias vegetais/cereais, assim como o emprego de pontas de seta como pontas de projécteis. Observa-se, também, a reutilização das peças através de processos de reavivamento, o que permite, juntamente com os restantes dados funcionais, a realização de certas inferências e questões acerca dos processos económicos e comportamentais das populações que habitaram o castro de Vila Nova de S. Pedro.

 

5.22 O RECINTO DA FOLHA DO OURO 1 (SERPA) NO CONTEXTO DOS RECINTOS DE FOSSOS CALCOLÍTICOS ALENTEJANOS
António Carlos Valera / Tiago do Pereiro / Pedro Valério / António M. Monge Soares

Apresentam-se os primeiros resultados dos trabalhos arqueológicos realizados no recinto de fossos calcolítico da Folha do Ouro 1 (Serpa, Beja). Identificado numa imagem satélite, o sítio integrou a investigação sobre este tipo de contextos desenvolvida pelo NIA-Era Arqueologia e foi submetido a prospecção geofísica por magnetometria e a recolha de materiais arqueológicos. É realizada a análise da colecção de materiais recolhidos, da referenciação cronológica que permitem, da implantação topográfica e das características arquitectónicas observadas no magnetograma obtido. O sítio é integrado no contexto regional, através da sua comparação com as características já conhecidas para outros recintos de fossos alentejanos.