Arqueologia em Portugal: 2020 - Estado da Questão

4. Arte Rupestre

 

4.1 OS INVENTÁRIOS DE ARTE RUPESTRE EM PORTUGAL
Mila Simões de Abreu

Apresenta-se uma história das listas e inventários de sítios com arte rupestre em território português, partindo das primeiras referências no séc. XVII, passando pelas sinalizações publicadas por estudiosos como Francisco Martins Sarmento, José Leite de Vasconcelos e Francisco Manuel Alves, os primeiros inventários feitos por Rui Serpa Pinto e Joaquim Rodrigues Santos Júnior até ao projeto “Gravado no tempo” - 0 inventário total da arte rupestre portuguesa, iniciado em 1991. A criação do “Corpus” das gravuras e pinturas rupestres, na primeira década do séc. XXI e algumas das suas conclusões.

 

4.2 O PROJETO FIRST-ART – CONSERVAÇÃO, DOCUMENTAÇÃO E GESTÃO DAS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES DE ARTE RUPESTRE NO SUDOESTE DA PENÍNSULA IBÉRICA: AS GRUTAS DO ESCOURAL E MALTRAVIESO
Sara Garcês / Hipólito Collado / José Julio García Arranz / Luiz Oosterbeek / António Carlos Silva / Pierluigi Rosina / Hugo Gomes / Anabela Borralheiro Pereira / George Nash / Esmeralda Gomes / Nelson Almeida / Carlos Carpetudo

As grutas do Escoural e Maltravieso são as únicas grutas com arte rupestre paleolítica do Sudoeste Peninsular. Estes dois contextos assemelham-se nas suas características geológicas, circunstâncias das suas descobertas, estado de conservação, localização fora do âmbito territorial preferencial da arte paleolítica e na ausência de uma tradição de investigação científica. Este conjunto de fatores rege-se pela necessidade de priorizar a conservação de ambas as cavidades no contexto do crescente interesse social pelas primeiras manifestações de arte rupestre.
O projeto FIRST-ART pretende melhorar o conhecimento de ambas as grutas tendo em conta os seus aspetos técnicos, estilísticos e iconográficos através de uma investigação multidisciplinar e da aplicação de novas tecnologias de análise e de documentação recorrendo ao digital e ao tridimensional.

 

4.3 TRABALHOS DE DOCUMENTAÇÃO DE ARTE PALEOLÍTICA REALIZADOS NO ÂMBITO DO PROJETO PALÆOCÔA <
André Tomás Santos / António Fernando Barbosa / Luís Luís / Marcelo Silvestre / Thierry Aubry

Apresenta-se uma síntese dos resultados dos estudos de arte paleolítica levados a cabo no âmbito do projeto PalæoCôa (PTDC/EPH-ARQ/0326/2014). Adoptou-se uma abordagem arqueológica que pressupunha o estudo integrado da arte no seu contexto geológico e arqueológico, o que permitiu uma melhor caraterização do ciclo gráfico paleolítico do Vale do Côa, sobretudo no que se refere às suas fases magdalenenses e aos momentos imediatamente anteriores e posteriores.

 

4.4 IMAGENS FANTASMAGÓRICAS, SILHUETAS ELUSIVAS: AS FIGURAS HUMANAS NA ARTE DO PALEOLÍTICO SUPERIOR DA REGIÃO DO CÔA
Mário Reis

A representação da figura humana é rara na arte paleolítica europeia, e a região do Côa não é excepção, embora desde o início se conheçam antropomorfos paleolíticos na sua arte de ar livre. Inicialmente restringidos a dois sítios, a sua quantidade e dispersão territorial expandiu-se consideravelmente nos últimos anos, com os continuados trabalhos de prospecção, registo de rochas decoradas e revisão das já conhecidas, ascendendo actualmente a quase meia centena, pesem embora as dúvidas na classificação de várias entre elas. Este texto apresenta o conjunto completo destas figuras inventariadas na arte do Côa, dividindo-as nos seus principais grupos cronológicos e tipológicos, e reflectindo sucintamente sobre a sua possível continuação para a fase cultural subsequente ao Paleolítico Superior.

 

4.5 OS MOTIVOS ZOOMÓRFICOS REPRESENTADOS NAS PLACAS DE TEAR DE VILA NOVA DE SÃO PEDRO (AZAMBUJA, PORTUGAL)
Andrea Martins / César Neves / José M. Arnaud / Mariana Diniz

Do abundante espólio recolhido nas escavações realizadas entre 1936 e 1967 no povoado calcolítico de Vila Nova de São Pedro destacam-se cerca de 500 elementos em cerâmica comummente designados por “placas de tear” que apresentam distintas tipologias, dimensões e, a maioria, as superfícies decoradas. O dispositivo iconográfico presente nas placas é bastante diversificado, sendo predominantes os motivos geométricos, existindo também motivos soliformes, antropomórficos e zoomórficos. Desta última categoria encontram-se identificados 11 exemplares, no espólio depositado no Museu Arqueológico do Carmo, cuja tipologia se divide em dois tipos: quadrúpedes – cuja espécie não é identificável – e representações de cervídeos.
Estes motivos iconográficos fazem parte do universo simbólico e conceptual das comunidades peninsulares do 3º milénio a.C., surgindo igualmente em diversas categorias artefactuais tais como cerâmicas, estatuetas, placas, gravuras e pinturas rupestres. Compreender os mecanismos que potenciam esta uniformidade temática, bem como a importância do cervídeo para estes grupos agro-pastoris, permitirá mais uma aproximação ao enquadramento cultural e social destas comunidades.

 

4.6 ARTE RUPESTRE DO MONTE DE GÓIOS (LANHELAS, CAMINHA). SÍNTESE DOS RESULTADOS DOS TRABALHOS EFECTUADOS EM 2007-2009
Mário Varela Gomes

A nossa intervenção na arte rupestre do Monte de Góios, relevo da margem esquerda do fundo do estuário do Rio Minho, ocorrida de 2007 a 2009, deveu-se a projecto de minimização do impacto, na paisagem e no património cultural, devido à construção de via (A28/IC1 – Ligação a Caminha). Após a prospecção pormenorizada do terreno, foram documentadas dezoito rochas com arte rupestre, cinco das quais eram já conhecidas. As quase novecentas gravuras inventariadas, antropomorfos esquemáticos, zoomorfos (cavalos, colubrídeos e outros) e significativo conjunto de signos de carácter geométrico, apresentam longa diacronia pré e proto-histórica, suportada por relações estratigráficas, graus de desgaste e aspectos morfo-estilísticos. Elas integraram santuários, com diferentes dimensões e registos iconográficos, de amplo espaço sócio-religioso correspondente ao Monte de Góios.

 

4.7 GRAVURAS RUPESTRES DE BARQUIFORMES NO MONTE DE S. ROMÃO, GUIMARÃES, NOROESTE DE PORTUGAL
Daniela Cardoso

O Monte de S. Romão localiza-se na margem direita do rio Ave, no concelho de Guimarães, no Noroeste de Portugal.
A primeira referência de arte rupestre no Monte de S. Romão deve-se a Martins Sarmento que no século XIX relatou a existência de gravuras (Sarmento, F., 1901; 1904; 1905; 1933).
Investigações recentes concentraram-se num conjunto substancial de arte rupestre que está disperso por grande parte do local (Cardoso, D., 2011, 2015, Nash, G., Cardoso, D., Ferreira, E., 2013).
O objetivo deste trabalho é o de apresentar três suportes gravados do Monte de S. Romão, dos quais dois deles, em nossa opinião, foram publicados em posição invertida. Com esta nova abordagem, colocamos a hipótese de que estes representam barquiformes pré-históricos. Apesar de preliminar, este trabalho pretendeu contribuir para aumentar os conhecimentos sobre a arte rupestre pós-paleolítica de ar livre do Noroeste português e em especial do enigmático Monte de S. Romão, bem como promover novas questões sobre o local.

 

4.8 CÍRCULOS SEGMENTADOS GRAVADOS NA BACIA DO RIO LIMA (NOROESTE DE PORTUGAL): CONTRIBUTOS PARA O SEU ESTUDO
Diogo Marinho / Ana M.S. Bettencourt / Hugo Aluai Sampaio

A arte rupestre como prática das comunidades do passado pode ser dividida em arte paleolítica e em arte pós-paleolítica. Este trabalho incidirá na arte pós-paleolítica de ar livre na qual se inserem, por sua vez, as Artes Atlântica e Esquemática entre outras difíceis de definir segundo Bettencourt (2017a, 2017b). É dentro destas últimas que se enquadra o nosso objeto de estudo, os círculos segmentados gravados que, de acordo com aquela autora, pertenceram a um universo estilístico emergente na Idade do Bronze. A área de estudo é a bacia do rio Lima onde, apesar de raros, estes motivos aparecem quer no litoral como no interior, em associação com diferentes gramáticas figurativas. Pela observação macroscópica da sua orientação indiciam relação com cultos celestes ou celebrações em determinados momentos do ano.

 

4.9 EQUÍDEOS GRAVADOS NO CURSO INFERIOR DO RIO MOURO, MONÇÃO (NW PORTUGAL). ANÁLISE PRELIMINAR
Luís Coutinho / Ana M. S. Bettencourt / Hugo Aluai Sampaio

Este estudo, centra-se na representação de equídeos gravados na bacia do rio Mouro, afluente da margem sul do rio Minho. Tem como objetivos o estudo da sua distribuição no espaço em relação a características físicas; a especificidade de tipos de equídeos gravados; as características dos afloramentos gravados por grupo de equídeos e as orientações dos equídeos por tipo e a sua disposição no afloramento face a outros motivos gravados.

 

4.10 AS «MARCAS DE OLEIRO» NA TERRA SIGILLATA DE VALE DE TIJOLOS (ALMEIRIM) E AS DINÂMICAS COMERCIAIS NO AGER SCALLABITANVS DURANTE O PRINCIPADO
Bruna Sousa Afonso / Ana M. S. Bettencourt / Hugo Aluai Sampaio

As paletas são pouco frequentes na arte rupestre do Noroeste de Portugal. Encontram-se tanto em contextos de Arte Atlântica Clássica, como de Arte Esquemática de ar livre, mas também noutros contextos com motivos de difícil classificação. Apesar de conhecidos não existe um inventário de sítios com este motivo nem um quadro tipológico dos mesmos, apesar de alguma subdivisão realizada por Bettencourt (2017a). Também não são conhecidos os contextos culturais e físicos em que se encontram.
O objetivo deste trabalho é o de colmatar estas ausências através de um primeiro inventário, da criação de uma tipologia de motivos e de uma tentativa de inserção espacial e cultural dos mesmos.