
Os elementos metálicos de Torre Velha 3 datáveis do Bronze Pleno do Sudoeste provêm de hipogeus funerários e de fossas tipo “silo”. Se no segundo caso a maioria dos objectos provêm de contextos secundários, tendo mesmo alguns sido recolhidos em estruturas da Antiguidade Tardia, no primeiro caso é certa a sua associação a contextos funerários do Bronze Pleno, alguns já datados pelo radiocarbono. Os metais analisados correlacionam‑se
com uma metalurgia de cobres arsenicais, exceptuando alguns artefactos que constituem a evidência mais antiga de ligas de bronze no sudoeste ibérico. A composição destes sugere importação de uma região com uma metalurgia desenvolvida, enquanto um punhal com rebites de prata evidencia o caracter de prestígio atribuído aos primeiros bronzes. As cadeias operatórias da manufactura de cobres arsenicais e bronzes apresentam usualmente operações de martelagem e recozimento.
Pretende‑se, neste espaço, tomar como ponto de partida de discussão, a colecção de cerâmicas decoradas de inspiração alógena provenientes do Sector A do sítio da Fraga dos Corvos (Macedo de Cavaleiros) recuperadas nas campanhas de escavação de 2003 a 2011. A identificação de formas e, sobretudo, motivos decorativos semelhantes aos conhecidos para ambientes “Protocogotas” da Meseta Norte, que incorporam o Bronze Médio dessa região, colocou a Fraga dos Corvos na esfera de influências e relações de um “centro” cultural na sua fase formativa.
Numa tentativa de aproximação à natureza dessas relações escolheram‑se determinados pontos de reflexão: medir distâncias geográficas e definir áreas preferenciais de relacionamento; discutir formas de adopção e de reinterpretação local.
Apresenta‑se o Sítio do Corgo, Vila do Conde, descoberto durante o acompanhamento arqueológico das obras do Metro do Porto. Assentamento de estruturas em negativo de comunidade de agricultores‑pescadores, estender‑se‑á entre Árvore e Azurara, espaço ao qual já era anteriormente reconhecido potencial arqueológico, se bem que de fácies romana. Não sem fundamento. Porém, revelaram os trabalhos ocupações remontáveis à Idade do Bronze, para além da possibilidade de ocupação Calcolítica prévia. Assim, à mercê da comunidade científica, coloca‑se uma súmula dos resultados obtidos nesses trabalhos, todos nas categorias de arqueologia preventiva e de emergência. Desta forma, alertá‑la também para as ameaças que se abatem sobre o sítio, decorrentes tanto da prática agrícola mecanizada como dos planos urbanísticos que pairam no horizonte.
Os artefactos metálicos produzidos durante a Primeira Idade do Bronze (2250‑1250 AC) na Ibéria seguem geralmente modelos e tecnologias conservadoras que, progressivamente, se afastam do utilizado na Europa Ocidental Centro‑Atlântica até que, no Bronze Final, se generaliza a produção de bronzes binários.
A introdução dos primeiros bronzes binários parece ocorrer de norte para sul ao longo do Ocidente Ibérico. Protagonistas de tal percurso parecem ser os machados planos de gume largo e aberto de tipo Bujões/Barcelos. Evidências recentes, no Norte Português, de produção de bronzes binários em contextos domésticos do Bronze Médio (1750‑1250 a.C.) associadas à revisão e estudo arqueometalúrgico de anteriores achados do Centro‑Sul de Portugal permitem‑nos reflectir sobre as modalidades de transmissão tecnológica.
Análise de questões relacionadas com as estratégias de povoamento, opções de culto, exploração de recursos disponíveis e vias de trânsito trilhadas pelas comunidades que habitaram o território da Serra da Arrábida no decorrer do Bronze Final. Tratando‑se de um tema escassamente estudado, mas onde já afloravam contextos particularmente sugestivos, entendeu‑se oportuno avançar com um inédito trabalho de síntese dos dados disponíveis. A hora ainda não permite obter uma perspectiva sincrónica e de “curta duração”, ainda assim, a informação produzida sugere um coerente complexo demográfico, instalado num território específico e individualizado, com algum grau de diferenciação e de ordenamento político‑administrativo, insinuando uma forte articulação com as vias de comunicação, muito em especial as fluvio‑marítimas.
Artefactos e vestígios de produção metalúrgica do Outeiro do Circo foram objecto de caracterização elementar e microestrutural. A datação pelo radiocarbono dos contextos dos materiais indicou uma cronologia do último quartel do II Milénio a.C. Um cadinho encontra‑se associado à produção de ouro e dois nódulos metálicos relacionam‑se com operações primárias de produção de bronze. Um cone de fundição atesta o vazamento de um bronze de composição semelhante à dos restantes artefactos metálicos, com excepção de um exemplar, cujo reduzido teor em estanho será devido à utilização de sucata. As cadeias operatórias dos artefactos incluíram operações de martelagem e recozimento. Os materiais analisados enquadram‑se na metalurgia coeva do sul de Portugal, caracterizada por bronzes binários com teores apropriados de estanho.
No quadro de uma acção de arqueologia preventiva, revelaram‑se indicadores que permitem alimentar a discussão de uma fundação anterior ao Bronze Final, na Vila de Arraiolos. Substancia‑se, assim, uma ocupação enquadrada no Bronze do Sudoeste na fronteira geográfica e cronológica do povoado estrategicamente instalado na colina do Castelo.
Dando notícia preliminar de um achado recente de duas estelas, ditas do sudoeste, no lugar de Castelões, freguesia de Calvão, concelho de Chaves, distrito de Vila Real, apresenta‑se a sua análise descritiva com reconsideração da problemática da territorialidade e da simbólica do poder local e regional a partir da distribuição geográfica e formatos de representação, sublinhando a originalidade da tipologia destes monumentos no quadro evolutivo da escultura de pedra do noroeste peninsular.
As críticas mais recentes aos fundamentos da construção da imagem de Tartessos ao nível da análise das fontes escritas como no papel da Arqueologia neste processo, são o ponto de partida para uma reflexão crítica sobre as referências escritas a Tartessos nas fontes gregas entre finais do séc. VII e meados do séc. IV a.C.. Questiona‑se o significado deste nome, bem como as suas variações nestas fontes, enquanto entidade indígena diferenciada dos Fenícios, ao mesmo tempo que se apresentam alguns aspectos metodológicos para a leitura dos textos.
Analisa‑se o conjunto de cerâmicas de engobe vermelho exumado no decurso das últimas campanhas de escavação realizadas no Museu do Teatro Romano.
O objectivo desta apresentação é o estudo deste grupo de materiais, analisando‑se o respectivo enquadramento no contexto diacrónico da ocupação deste local.
O facto de terem sido exumadas algumas estruturas de contextos sidéricos e republicanos, em ambos os casos destruídas pela edificação do teatro nos inícios do séc. I d.C., permitiu o reconhecimento da ocupação anterior à época romana. O aparecimento de inúmeros fragmentos classificada tradicionalmente como “cerâmica de engobe vermelho”, a qual surgiu em múltiplos estratos arqueológicos, revela uma diacronia de contextos que suscitam interessantes considerações.
As intervenções realizadas em Monte Molião (Lagos) permitiram exumar um conjunto significativo de cerâmicas de tipo Kuass. Os estudos destas produções de matriz helenística, fabricadas na área meridional da Península Ibérica e no litoral atlântico marroquino, têm sido intensificados durante a última década, subsistindo, contudo, algumas problemáticas relativas ao seu enquadramento cronológico, concretamente quanto à fase final da produção. A existência de contextos estratigráficos conservados no sítio algarvio, que se estendem desde a Idade do Ferro até ao período romano‑republicano, constitui um recurso privilegiado para a análise dos padrões de importação destas cerâmicas. Neste trabalho, pretende‑se analisar a evolução das suas características morfológicas, de fabrico, e ainda a sua expressividade no conjunto artefactual pré‑romano e republicano, face a outros tipos de cerâmica de mesa.
Decorridos 20 anos desde a escavação da Necrópole da Nora Velha 2, a revisão dos elementos já publicados, bem como a análise dos materiais e dados ainda inéditos desta necrópole, permitem um novo olhar sobre um dos sítios arqueológicos mais interessantes para a compreensão das práticas funerárias na Idade do Ferro na região de Ourique e consequentemente, no Baixo Alentejo.
Num momento indeterminado do século II a.C., a inauguração de um dos compartimentos do povoado de Mesas do Castelinho é realizada mediante um depósito intencional de artefactos com origens e funções diversificadas.
Associando o estudo do conjunto artefactual à estratigrafia, reconstitui‑se um dos capítulos desta história antiga de mais de dois mil anos, na qual o cenário de fundo mostra uma longa tradição e um são convívio entre os elementos exógenos e aqueles produzidos local e/ou regionalmente. Dela faz parte a caracterização do tecido social e cultural que subjaz a este episódio de depósito de artefactos.
O conjunto de cossoiros do sítio arqueológico de Cabeça de Vaiamonte apresenta‑se
como um dos mais numerosos da península ibérica, totalizando 1660 exemplares depositados no Museu Nacional de Arqueologia. Apesar de se encontrarem desprovidos de contextos estratigráficos, o seu lato número permitiu a criação de uma tipologia com base na forma, fabrico, técnica e motivos decorativos, peso e também pela utilização de grafitos, com os quais poderemos delinear novas questões que se prendem com a função deste objecto. A fiação será obviamente a função primária, no entanto deverá ser ponderada uma outra função para este conjunto, que será facilmente compreendida quer pelo número insólito e inusitado de exemplares quer pela profusão decorativa (43%).
A romanização do território noroeste peninsular teve profundas consequências ambientais, económicas e sociais. Porém, os dados arqueobotânicos existentes permitem discernir, a par de algumas inovações, abundantes evidências de uma continuidade nas escolhas agrícolas. De facto, o conjunto de cultivos utilizado em época romana permanece muito semelhante ao da Idade do Ferro.
Embora não se possa excluir a hipótese de existir um enviesamento de dados provocado pela tipologia e cronologia predominantes das jazidas romanas estudadas, parece evidente que os sinais de continuidade devem ser interpretados à luz das dinâmicas ambientais e de povoamento específicas da região.
Viseu carece ainda hoje de dados essenciais que possam colmatar hiatos na evolução da sua história. No entanto, e graças ao progressivo aumento do número de intervenções na malha urbana, sentidas desde 1997, no âmbito das imposições legais referentes ao Centro Histórico, começa‑se a delinear um esquema evolutivo da cidade, alicerçado em dados arqueográficos. Efectivamente, hoje podemos falar da ocupação proto‑histórica de Viseu, aspecto apenas seguro na bibliografia da viragem deste milénio.
É precisamente com esse espírito de divulgação tão necessário para a compreensão do processo histórico, que apresentamos alguns resultados obtidos em intervenções de carácter preventivo efectuado na malha urbana de Viseu. Os dados foram seleccionados de acordo com a sua cronologia, dando apenas a conhecer os resultados essenciais da ocupação do povoado da Idade do Ferro, com base nos resultados obtidos através de intervenções arqueológicas efectuadas pela Arqueohoje, traduzindo‑se num conjunto de espaços de carácter doméstico, económico e defensivo.