O presente artigo apresenta os resultados preliminares dos trabalhos de registo e avaliação de um elemento naval em madeira identificado durante os trabalhos de escavação arqueológica na Praça D. Luís I em Lisboa. A peça encontrava‑se num contexto portuário, onde se registaram materiais de época romana, que datam entre o século I a.C. e o século V.
As medidas, a morfologia e o sistema de fixação desta peça sugerem que fez parte da estrutura de um navio da antiguidade clássica, podendo corresponder a uma peça longitudinal, tábua de forro ou quilha.
Na ausência de outros vestígios de navios desta época na costa portuguesa, a peça da Praça D. Luís I constitui um vestígio singular, com importância científica de excepção.
A ERA‑Arqueologia tem vindo a realizar o acompanhamento permanente das obras de construção do Parque de Estacionamento da Praça Dom Luís I (Emparque) e da Nova Sede Corporativa da EDP, que se inserem em plena zona ribeirinha de Lisboa. O resultado das intervenções arqueológicas efectuadas até ao momento representa um contributo de inequívoca importância para a história da cidade, particularmente no que concerne à sua vocação marítima. Pelo seu interesse, raridade e pela natureza interdisciplinar das intervenções arqueológicas destacam‑se a Grade de Maré (século XVII/XVIII) e as embarcações Boa Vista 1 e Boa Vista 2 (século XVII/ XVIII).
A ria de Aveiro influenciou a ocupação humana do centro de Portugal dando origem a comunidades fortemente marcadas pelas actividades marítimas. As características naturais deste espaço resultaram num registo arqueológico subaquático diversificado, constituído por quase uma dezena de sítios arqueológicos, e na formação de uma paisagem onde abundam elementos relacionados com actividades marítimas, nomeadamente portuárias. Com vista à integração cultural dos sítios subaquáticos, pretende‑se abordar a evolução da laguna entre os séculos XV a XIX. Serão considerados aspectos económicos relacionados com o povoamento ou com o aproveitamento de recursos naturais. Procurar‑se‑à também caracterizar as alterações naturais e culturais na navegação lagunar, analisando o seu impacto na paisagem. Este estudo procura assim abordar o património cultural marítimo desta região, analisando também fontes escritas e iconográficas.
O projecto de Carta Arqueológica Subaquática do Concelho de Lagos, sob a direcção da Camara Municipal de Lagos, ocorreu entre 2006 e 2010 e serviu para identificar e cartografar preliminarmente o património cultural subaquático existente no concelho. Durante a vigência do projecto descobriu‑se cinco naufrágios, diverso património cultural submerso, que permitiu a iniciação de dois projectos separados de investigação e ter uma noção da evolução histórica da interface marítima de Lagos.
O conceito de paisagem Cultural Marítima é, na arqueologia subaquática portuguesa, de discussão muito recente. Com este artigo pretendemos analisar parcialmente o impacto que este tipo de abordagem tem numa costa que é fortemente recortada e num litoral que é morfologicamente complexo, pois têm influência do Oceano Atlântico e do Estuário do Rio Tejo. O litoral de Cascais, localizado junto a Lisboa, é espaço que pretendemos confrontar com este paradigma epistemológico. As relações e as redes entre o homem e os vestígios do passado náutico, directos e indirectos, são perspectivados na longue durée e numa abordagem espacial de zonas de transporte.